Casa de Camilo

Camilo Castelo Branco

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24 de outubro de 2010

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo, no âmbito da iniciativa «Um Livro, Um Filme»

Dia 29 de Outubro, às 21h30

NO BLOG:

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo, no âmbito da iniciativa «Um Livro, Um Filme» (Dia 29 de Outubro, às 21h30)
Outubro 23, 2010 por casadecamilo

Álvaro Siza Vieira, o mais conceituado e premiado arquitecto contemporâneo português, é o próximo convidado da sessão de «Um Livro, Um Filme», actividade promovida, na última 6.ª Feira de cada mês, pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através da Casa de Camilo, no auditório do Museu em S. Miguel de Seide.
No próximo dia 29 de Outubro, pelas 21h30, Álvaro Siza Vieira comentará o filme por si escohido: «Tempos Modernos», de Charlie Chaplin.

Sinopse do filme:
Um trabalhador de uma fábrica tem um colapso nervoso por trabalhar de forma quase escrava. É levado para um hospital, e quando retorna para a “vida normal”, para o barulho da cidade, encontra a fábrica já fechada. Vai em busca de outro destino, mas acaba por se envolver numa confusão: ao ver uma jovem roubar um pão para comer, decide entregar-se em seu lugar…

http://casadecamilo.wordpress.com/2010/10/23/alvaro-siza-vieira-traz-%c2%abtempos-modernos%c2%bb-a-casa-de-camilo-no-ambito-da-iniciativa-%c2%abum-livro-um-filme%c2%bb-dia-29-de-outubro-as-21h30/

18 de outubro de 2010

Antestreia de "Mistérios de Lisboa" e RTP - CÂMARA CLARA


Foto da autora deste blogue.



"Mistérios de Lisboa" - o filme do chileno Raúl Ruiz, baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, teve a sua antestreia nacional no auditório do Centro de Estudos Camilianos, em Seide, na noite de 15 de Outubro, com a apresentação de dois actores.



Todas as semanas, no CÂMARA CLARA, Paula Moura Pinheiro convida gente que gosta de artes e ideias para conversar sobre os livros, os espectáculos, os filmes, as exposições e as conferências da actualidade, sem esquecer os Clássicos que, por serem Clássicos, nunca envelhecem.




O filme "Mistérios de Lisboa" e Camilo Castelo Branco, foram o assunto discutido neste Domingo à noite.


CONVIDADOS: JOSÉ VIALE MOUTINHO E MARIA JOÃO BASTOS


Mistérios de Lisboa, o último filme do chileno Raúl Ruiz, a partir da obra de Camilo Castelo Branco, estreia no dia 20 nas salas cinema de França e no dia 21 nas de Portugal.

Dos diversos festivais para que foi seleccionado – do de Toronto ao de Nova Iorque, passando pelo de San Sebastián – arrebatou crítica e público e trouxe já o prémio de Melhor Realizador.

Com produção de Paulo Branco e um elenco surpreendente, Mistérios de Lisboa é a oportunidade perfeita para falar da vida e da obra de Camilo Castelo Branco e da vida e da obra de Raúl Ruiz.

Maria João Bastos, a protagonista de Mistérios…, e José Viale Moutinho, autor sobre a vida e a obra de Camilo são o par do próximo Câmara Clara, que acontece em puro ambiente fim de século XIX…


O vídeo do programa, aqui ONLINE: RTP - CÂMARA CLARA

6 de outubro de 2010

O que Fazem Mulheres - Camilo Castelo Branco

"O que Fazem Mulheres" - hoje, às 21:30h, na reunião de leitores das Noites de Insónia, na Casa de Camilo.


ROMANCE PHILOSOPHICO

QUARTA EDIÇÃO

1907
PARCERIA ANTONIO MARIA PEREIRA Livraria editora e Officinas Typographica e de
Encadernação Movidas a electricidade Rua Augusta--44 a 54 LISBOA
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A TODOS OS QUE LEREM

É uma historia que faz arripiar os cabellos.
Ha aqui bacamartes e pistolas, lagrimas e sangue, gemidos e berros, anjos e demonios.
É um arsenal, uma sarrabulhada, e um dia de juizo!
Isto sim que é romance!
Não é romance; é um soalheiro, mas tragico, mas horrivel, soalheiro em que o sol esconde a cara.

Como da seva mesa de Thyestes
Quando os filhos por mão de Atreu comia.


Escreve-se esta chronica em quanto as imagens dos algozes e victimas me cruzam por diante da phantasia,

como bando de aves agoureiras, que espirram de pardieiro esboroado, se as acossa o archote de um

phantasma.

Tenebroso e medonho! É uma dança macabra! um tripudio infernal! cousa só semelhante a uma novella

pavorosa das que aterram um editor, e se perpetuam nas estantes, como espectros immoveis.

Ha ahi almas de pedra, corações de zinco, olhos de vidro, peitos de asphalto?

Que venham para cá.

Aqui ha cebola para todos os olhos;

Broca para todas as almas;

Cadinhos de fundição metallurgica para todos os peitos.

Não se resiste a isto. Ha-de chorar toda a gente, ou eu vou contar aos peixes, como o padre Vieira, este

miserando conto.

Os dias actuaes são melancolicos; a humanidade quer rir-se; muita gente, séria e sisuda, se compra um

romance, é para dar treguas ás despoetisadas e pêcas realidades da vida.

Sei-o de mais. Eu tambem compro os livros dos meus amigos, para espairecer de meditações serumbaticas em que me anda trabalhado o espirito.

Sei quantos devo, e que favores impagaveis me deveria, leitor bilioso, se eu lhe encurtasse as horas com

paginas galhofeiras, picarescas, salitrosas, travando bem á malagueta, nos beiços de toda a gente, afóra os

seus.

Tenha paciencia: ha de chorar ainda que lhe custe.

Se respeita a sua sensibilidade, fique por aqui; não leia o resto, que está ahi adiante uma, ou duas são ellas, as scenas das que se não levam ao cabo, sem destillar em lagrimas todos os liquidos da economia animal.

Este romance foi escripto n'um subterraneo, ao bruxolear sinistro de uma lampada.

Alfredo de Vigny não diz que escreveu um drama, ás escuras, em vinte dias? E Frederico Soulié não se

rodeava de esqueletos e esquifes?

E outros não se espertaram com todos os estimulos imaginaveis de terror? Menos o do subterraneo... este é

meu, se me dão licença.

Pois foi lá que eu desentranhei do seio estes lobregos lamentos.

No fim de cada capitulo, vinha ao ar puro sorver alguns átomos de oxigenio, e todos me perguntavam se eu

tinha pacto com o diabo.

Almas plebeias! não sabem o que é a fidalguia do talento, que tem alcaçar nos astros, e nos antros lobregos da terra; não entendem este fadario do «genio», que elles chamam «excentricidade», como se não houvesse um nome portuguez que dar a isto.

O leitor sabe o que isto é? Já sentiu na alma o apertar de um caustico? Excruciaram-no, alguma vez, os

flagellos da inspiração corrosiva, como duas onças de sublimado?

Se não sabe o que isto é, estude pharmacia, abra um expositor de chimica mineral, e verá.

Não cuidem que podem ler um romance, logo que soletram. Precisam-se mais conhecimentos para o ler que

para o escrever. Ao auctor basta-lhe a inspiração, que é uma cousa que dispensa tudo, até o siso e a

grammatica. O leitor, esse precisa mais alguma cousa: intelligencia;--e, se não bastar esta, valha-se da

resignação.

Ora, está dito tudo.

Leiam isto, que é verdadeiro como o «Agiologio» de Ribadaneira, como as «Peregrinações» de Fernão

Mendes, como todos os livros legados de geração a geração com o sinete da crença universal.
 
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A ALGUNS DOS QUE LEREM

Não será uma acção meritoria amoldurar em fórmas verosimeis a virtude, que os pessimistas acoimam de

impraticavel n'este mundo? Hão de só crer nas façanhas do crime, nas hyperboles da maldade humana, e negar

as perfeições do espirito, descrêr o que ultrapassa as balisas de uma certa virtude convencional, que não custa

dores a quem a usa?

Se os espanta as excellencias da mulher que vou debuxar, antes de m'as impugnarem, afiram-se pela natureza,

interroguem-se, concentrem-se no arcano immaculado da sua consciencia. Se me rejeitam a verdade de

Ludovina, se me dizem que a este inferno do mundo não podia baixar tal anjo, sabem o que é esse descrer? é

apoucamento de alma para idear o bello; é o regelo do coração que rebate as imagens ainda aquecidas do

halito puro da divindade.

Se a mulher assim fosse impossivel, o romancista que a inventou, seria mais que Deus.
 
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CAPITULO AVULSO

PARA SER COLLOCADO ONDE O LEITOR QUIZER

Francisco Nunes...

Que nome tão peco e charro! Francisco Nunes!

Pois se o homem chamava-se assim!?

Deus sabe que tristezas eram as d'elle por causa deste Nunes. O rapaz tinha talento de mais para escrever

folhetins lyricos, e outras cousas. Pois nunca escreveu por que não queria assignar-se Nunes.

Ha appellidos que parecem os epitaphios dos talentos.

Um escriptor Nunes morre ao nascer.

Bem o sabia elle.

Houve em Portugal um escriptor chamado Antonio José. Se a inquisição o não queima, ninguem se lembrava

hoje d'elle.
 
(...)
 
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5 de outubro de 2010

“O Dia do Desespero” de Manoel de Oliveira

Manoel de Oliveira apresenta o seu filme: "O Dia do Desespero"

24 de Setembro de 2010, no Auditório do Centro de Estudos Camilianos, em Seide.

Foto da autora deste blogue.




“Eu estou aqui a falar, mas não sabem quem eu sou. Eu sou o Manoel de Oliveira”: a apresentação estava feita perante uma plateia lotada que escolheu passar a sexta-feira à noite na companhia do cineasta. O pretexto era o regresso de Manoel de Oliveira à Casa de Camilo, em Vila Nova de Famalicão, quase vinte anos depois da estreia do filme “O Dia do Desespero”, que relata a história verídica dos últimos anos de vida do romancista Camilo Castelo Branco. O Centro de Estudos Camilianos emprestou o seu auditório para rever “O Dia do Desespero”, com a promessa de ouvir o mestre recordar e rever os pormenores das filmagens – e os famalicenses não faltaram à chamada.

Em passo apressado, o realizador que em Dezembro cumprirá 102 anos, entrou numa sala cheia. À porta, quem não conseguiu entrar espreitava, tentava vislumbrar a silhueta do mestre. E este fez ecoar os mais sinceros agradecimentos e apresentou-se, poupando palavras ao seu interlocutor, que tinha acabado de perguntar: “Como apresentar quem não precisa de apresentações?”

Manoel de Oliveira descobriu o fascínio por Camilo Castelo Branco, revelado tanto em “O Dia do Desespero”, como nas suas obras “Amor de Perdição” e “Francisca”, porque, tendo sido “um escritor excepcional” é impossível não o descobrir. “Quem é que não o descobriu? O fascínio é evidente”, atirou num tom bem-humorado que manteve, tanto na conversa prévia à exibição do filme, como na demorada sessão de perguntas posterior, levando a plateia inúmeras vezes às gargalhadas.

Sobre os pormenores da rodagem de “O Dia do Desespero”, filmado em 1991 e projectado no Centro de Estudos Camilianos de Vila Nova de Famalicão, o realizador reconheceu não se lembrar de histórias particulares, nem daquela em que terá pedido folhas, importadas da Bélgica, para uma acácia despida. O tom bem-disposto foi pontuado por momentos sérios, especialmente quando o tema era Camilo Castelo Branco. “A vida dele foi funesta”, assegurou o realizador, que vê na figura do escritor o peso de uma “perseguição” de que foi alvo desde criança.

O homem que já foi “muita coisa”, mas agora é só realizador, intercalou o tema camiliano com outro: a morte. “A morte igualiza toda a gente. Ricos e pobres”, afirmou, debruçando-se depois perante a relação que se estabelece entre o seu oposto, a vida, e o cinema.

Para Manoel de Oliveira, “a própria vida não tem nada de original”. “Foi o viver que me ajudou a fazer cinema e não o contrário. O cinema copia o que o Criador cria, portanto não me podem chamar criado”, resumiu.
Apesar de não ser presença habitual nas salas de cinema, o cineasta que começou quando o cinema ainda era mudo – “Fiz cinema mudo, porque não havia som”, disse –, não se escusou a comentar a nova revolução tecnológica pela qual a sétima arte está a atravessar. “Acho que as três dimensões são de mais, porque exageram a própria vida. Por mais voltas que dêem à técnica, nunca a técnica substitui os seres humanos”, defendeu o realizador mais velho do mundo ainda em actividade.



Fonte: AGÊNCIA LUSA, 25-09-2010

Foto da autora deste blogue.




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Casa de Camilo - Noites de Insónia

«As “Noites de Insónia” têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.» http://camilocastelobranco.org/index2.php?co=569&tp=6&cop=260&LG=0&mop=604&it=evento_lst Coordenadores: 2009 - Professor Cândido Oliveira Martins - Universidade Católica de Braga 2010 - Professor Sérgio Guimarães de Sousa - Universidade do Minho 2011 - Prof. João Paulo Braga

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